Folha de Papel

Bruno Ernica

Era muito fácil explorar as ideias alheias.

Dei toda a minha boa vontade e bom senso a vocês, como se fosse uma folha em branco. Entre lindos textos, histórias em quadrinhos e charges, havia uma coisa que eu não enxergava a olho nu: o interesse.

Não que ele não pudesse ser escrito naquela folha, mas era mais fácil ser descrito com ações, sendo que todas essas são temporais e dificultam o uso das minhas têmporas. E eu, como nunca fui bom em matemática, demorei a somar todos os tipos de interesse, que eu estava lendo na falta de virtude de todos.

Um dia cheguei à conclusão de que não poderia concluir nada, se não fosse sozinho – leia-se com mutualidade, e não interesse – e se eu não seguisse o rumo certo da minha boa vontade e bom senso. Peguei minha folha, que não estava mais em branco, e parti para o caminho que trilhei para a minha vida. Embora eu tenha demorado a trilha não se desfez.

E hoje a folha é só rasura.