Category Archives: Poemas

Antinatural

Bruno Ernica

Lajeado branco-encardido pela cor das quatro horas da manhã

seguido de nada vezes nada, aleatoriamente espetacular,

trotando em ferraduras de látex preto (detalhes em prata)

e a vida ficou mais bonita – assustadoramente mais bonita.

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Cento e sessenta caracteres multiplicados por, talvez, cento e vinte e dois,

combinações turvas de sensações de proximidade.

Nostalgia de coisas não vividas, fumo, espelhos,

uvas que amarram a boca, músicas, cascas, sentimento de não se vai.

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Conversas desconexas tridimensionais, meia-noite.

Surpresas, vento gelado no rosto com gosto de couro.

Acabou a semana, com gosto de caramelo sem açúcar.

Acaba-se uma semana, e com ela o ciclo antinatural das afeições.