Leia Quatorze Vezes Antes de Entender

Bruno Érnica

Eu, por dentro da geometria de três lados internos e três externos

     apenas um embaixo,

Preso entre estrelas e flores artificiais e

Solto entre moedas e açúcar e

Consentido em frente a quinze polegadas e

Mantido em uma folha de papel marcada por caneta piloto. Não mais que isso.

 

Eu, por fora e sem geometria,

Forjado por pelos e pelo menos por

Mais e por menos por

Portas e porcas atitudes exploradas entre cores de flor de sakura.

 

Ambos, inconformidade e

Idade e misturas indiscriminadas e

Culpa e mentira, culpa e erros.

 

Surpresas antes de deitar. Deite-se antes do fim.

Antinatural

Bruno Ernica

Lajeado branco-encardido pela cor das quatro horas da manhã

seguido de nada vezes nada, aleatoriamente espetacular,

trotando em ferraduras de látex preto (detalhes em prata)

e a vida ficou mais bonita – assustadoramente mais bonita.

­

Cento e sessenta caracteres multiplicados por, talvez, cento e vinte e dois,

combinações turvas de sensações de proximidade.

Nostalgia de coisas não vividas, fumo, espelhos,

uvas que amarram a boca, músicas, cascas, sentimento de não se vai.

­

Conversas desconexas tridimensionais, meia-noite.

Surpresas, vento gelado no rosto com gosto de couro.

Acabou a semana, com gosto de caramelo sem açúcar.

Acaba-se uma semana, e com ela o ciclo antinatural das afeições.

UC1 – 117 / 11h10 (Pai)

Era uma bela e incomum manhã de outono. Uma brisa fria batia em meu rosto, junto com o sol radiante, e o céu de multitons de azul, sem ao menos uma nuvem no céu. O dia era perfeito para um dia feliz. Era.

A manhã se convertia em um quarto de hospital, divido em seis leitos, seis vidas, e uma delas, me pertencia. Um pedaço de mim se mantia em estado delicado, com aparelhos ligados ao corpo, uma inalação somente com água, e duas bolsas de soro, que fingiam derramar a vida de gota em gota. O pedaço que permanecia dentro daquele quarto era parte de meu alicerce, este que já estava debilitado por ser apenas, ao invés de dois, somente um.

read more »

Os Outros: Eu

Bruno Ernica

Eu não sou eu nem sou o outro,
Sou qualquer coisa de intermédio:
Pilar da ponte de tédio
Que vai de mim para o Outro.

Mario de Sá Carneiro – Lisboa, fevereiro de 1914

Estou entre duas metades de mim.

Não sou alguém com vontades próprias, desejos únicos, impulsos ou premeditações. Apenas tenho aspirações humanas que me guiam a certos caminhos e que geram desentendimento. Eu. Eu não sou eu.

Não estou buscando as respostas dos porquês que eu não tenho, nem estou tentando enganar ninguém enquanto finjo que compreendo algo. Apenas observo o que se passa. Eu. Eu não sou outro.

read more »

Folha de Papel

Bruno Ernica

Era muito fácil explorar as ideias alheias.

Dei toda a minha boa vontade e bom senso a vocês, como se fosse uma folha em branco. Entre lindos textos, histórias em quadrinhos e charges, havia uma coisa que eu não enxergava a olho nu: o interesse.

read more »

Anti-Edem

Lembro-me bem de nós dois andando de braços dados, como se fossemos um vínculo, como um só. O sorriso despendido cortava seu rosto, torneado pelos detalhes óbvios que faziam dele único. Eu gostava de te ver sorrir, pois eu não te conhecia de verdade.

read more »

Epifania

Bruno Ernica

Dobrei meus suspiros e arrepios em dois, para não chamar de algum sentimento absurdo.

Eu sinto meus pensamentos ecoarem e se personificarem,
Como se tivesse alguém na minha frente,
Ou como encontrar comigo mesmo. Me encontrei.

read more »

Gosto de Incompreensão

Entendi algumas coisas incompreensíveis.

Estar junto me faz pensar em exatamente nada,
Ou sendo mais específico, tudo ao mesmo tempo.

read more »

Interpretação

Eu estou lendo seus suspiros, presos entre sua boca e suas narinas.
Eles estão dizendo que é recíproco, só não sabem o significado de reciprocidade.
read more »