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A História da Condescendência

Estava ali, sentada no canto de um imenso banco de uma praça, sozinha, sem ninguém. Jogava migalhas aos pombos – para alimentá-los, para deixar a cena mais bonita – enquanto as pessoas passavam. Ela observava. As pessoas vestiam roupas iguais, tinham fisionomia semelhante, pareciam da mesma família. As pessoas não pareciam bem. Andavam apressadas, olhando para baixo, para o nada, para o próprio nariz. Embora todas fossem parecidas, nenhuma olhava para a outra. Pareciam apáticas. Pareciam egoístas. Pareciam muitas coisas, mas a Condescendência não podia afirmar com toda certeza o que elas eram, apenas o que elas não eram: parecidas com Ela.